Talvez o poema de uma Arquiteto...



Acrilic on Canvas
Legião Urbana
Composição: Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha / Marcelo Bonfá

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"
E "não-te-esqueças-de-mim"

Intervenção na Rua da Cachaça






A famosa Rua da Cachaça do século XVIII, Rua da Alegria no século XIX, Rua Marechal Bittencourt no século XX, ou ainda a popularmente conhecida por Rua da Zona até meados dos anos oitenta, como queiram chamá-la, ao longo de sua existência, além da variada nomenclatura, é de grande importância histórica, e notável , principalmente pela interação social e política das tabernas do século XVIII e pela trajetória das manifestações da cultura popular que ali aconteceram e acontecem.
A atual Rua Marechal Bittencourt, que ficou praticamente em ruínas por várias décadas, até meados de 1980 quando mendigos e boêmios invadiam as casas abandonadas, começa a se reerguer no ano de 2003, com a criação do Centro de Referência Musicológica José Maria Neves – CEREM, fortalecendo-se em janeiro de 2009 com a presença do Centro Cultural Feminino e culminando nos dias 17, 18 e 19 julho do mesmo ano com a emocionante inauguração da Sede “Amigos da OPL/OPTA” e o lançamento do Projeto “Zona da Música”.
Para sua continuidade o projeto “Zona da Música” idealiza e ou coordena atividades artísticas, culturais, educacionais, sociais, patrimoniais, turísticas e ambientais todo segundo fim de semana do mês (sexta, sábado e domingo), aproveitando principalmente o potencial da atual Rua Marechal Bittencourt que já abriga as instituições: Centro de Referência Musicológica José Maria Neves – CEREM, Centro Cultural Feminino, Orquestra Popular Livre – OPL e a Organização Patrimonial Turística e Ambiental – OPTA e de seu entorno incluindo o Beco da Escadinha, Igreja e Largo do Carmo, Praça Dr. Salatiel e o Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ.




Com estas iniciativas espera-se criar uma rede de cooperação que trabalhe em sinergia com instituições e entidades da cidade e da região na gestão de projetos e articulação de artistas, educadores, ambientalistas, comunidades e profissionais de várias áreas resultando em um ponto de promoção e discussão das diversas culturas e alternativas para uma melhor qualidade de vida, tanto dos moradores da rua quanto a todo e qualquer cidadão que tenha algum interesse em arte e cultura.
Por estes motivos, nosso grupo queria mostrar toda esta trajetória da rua, e através de várias horas de problematizações e discussões, chegamos ao consenso de que a melhor maneira de se fazer isto, era através de fotos, projeções, e histórias contadas, ou por vídeo ou por conversas informais com os moradores. Fizemos várias visitas em diferentes horas do dia para podermos ter uma visão geral e poder “sentir” o local, analisando quais horários eram confortáveis e desconfortáveis termicamente. Foram tiradas várias fotos do local, levantamentos diversos, croquis e desenhos, além de conversarmos com vários moradores. O local escolhido foi o lote ao lado da Ong OPTA/OPL, que cederam o espaço para nossa intervenção. No lote tínhamos a segurança e condições de preparar todo um conceito multimídia. Fizemos uma maquete antes das compras dos materiais, para que tivéssemos certeza se o que idealizamos daria certo.


Colhemos informações e materiais com moradores e entidades da rua e demos início aos trabalhos práticos. Com a proposta da interdisciplinaridade, fizemos uma estrutura de bambu para suporte da iluminação e da proteção contra insolação do dia. Isolamos a parte do lote em que não há condições de uso, que tem chão de terra batida e entulhos diversos. Usamos o pano que isolava o lote como fundo para projeção dos vídeos. Tínhamos objetivo de confraternização de todos os envolvidos no trabalho de intervenção da rua, para isso, pedimos a ONG para que montasse um bar para que houvesse a interação entre todos os presentes.
O resultado final foi o que esperávamos. A iluminação e os vídeos cumpriram seu objetivo mostrando toda a trajetória histórica da rua.
No final foi uma grande festa com o sentimento de objetivos cumpridos.

PRAÇA DA SOBERANIA




Depois de 50 anos de sua inauguração Oscar Niemeyer visita Brasília, e como um pai que reencontra um filho, percebe os erros e acertos, decepções e vitórias inerentes ao ser humano. Além de percebeu que na área central faltava um espaço de convivência, recebeu o pedido do Governador do Distrito Federal José Roberto Arruda de conceber um estacionamento, e a idéia do Presidente Lula da criação de um Memorial dos ex-presidentes.
Diante destas demandas nasce o projeto da PRAÇA DA SOBERANIA, que conta com um estacionamento subterrâneo para 3.000 carros, o Museu dos Ex-presidentes e o Museu da História do Brasil. Segundo Niemeyer “um marco para causar perplexidade”, que basicamente é uma pirâmide esticada com mais de 100m de altura.






Em maio de 2009, Oscar Niemeyer apresentou nova versão para o projeto da Praça Soberania. Desta vez Niemeyer reduziu o monumento pela metade (de 100m para 50m) e o deslocou do centro para preservar a visibilidade da Esplanada dos Ministérios. A ideia inicial de Lúcio Costa era permitir a visualização de toda a Esplanada a partir da rodoviária de Brasília. Em nova entrevista ao Correio Braziliense (29/05/2009) afirma que a praça “é bonita, é monumental” e que tem “o direito de fazê-la. Brasília não é só urbanismo, é também arquitetura.” Reforça “essa praça não tem discussão.” Esqueceu-se apenas de considerar que longe vai o tempo em que Brasília era uma cidade imaginada e determinada em planta baixa por um arquiteto. Existem hoje as pessoas de Brasília e estas, mesmo que o magnífico arquiteto as considere um estorvo por seus pensamentos individuais, afetam de alguma forma a cidade e são afetadas por ela e, sobretudo, cumprem o seu dia-a-dia na capital federal. Pesquisa apontava que 76% da população de Brasília era contra o projeto.


André Correa do Lago: O elemento decisivo para que ele retirasse a proposta se deve ao fato de que não estava ocorrendo um debate sobre arquitetura, e sim sobre urbanismo. O questionamento não era em torno da qualidade, mas da localização do projeto.




“Toda capital tem que ter uma praça aonde o povo chega e se espanta. (…) Será um grande monumento em triângulo para mostrar o progresso de nosso país. É para causar perplexidade em quem vê.”
Oscar Niemeyer

O Governo decide, com o pretexto de falta de recursos e tempo para sua execução, abandonar "temporariamente" o projeto.

Conclusões sobre 2001: Uma Odisséia no Espaço


Durante a aula de História das artes, ficamos a par do que estava por trás da obra de Stanley Kubrick. Nas entrelinhas estavam referências artísticas e filosóficas que até hoje é motivo de debates. Fiquei instigado a tentar chegar a uma conclusão sobre o filme, o que não foi fácil, porque para cada resposta surgiam novas perguntas. A obra faz referências claras a obra de Nietzsche, Aurora, em que o limite das conquistas humanas é contestada com as perguntas: até onde podemos chegar? Temos um limite? Qual é ele?
Logo no início do filme surge o monólito com referências a arte minimalista, que é crucial para os questionamentos sobre a mensagem que o filme quer passar. A arte minimalista, que a princípio passa a idéia de que a obra é o que você vê, sem conjunturas ou explicações, na verdade abre discussões sem respostas até hoje. O próprio monólito que é de uma forma muito simples, intriga o expectador que, mesmo depois de 40 anos após o lançamento do filme, que tenta achar uma razão para a escolha daquele objeto.
No filme, este monólito está sempre presente nos momentos cruciais da evolução humana, deixando claro que o que move a humanidade não são as respostas, e sim as perguntas. Desde o encontro com nosso ancestral (“coincidindo” com o início do raciocínio), durante a descoberta do artefato na lua, em que o homem é provocado a procurar mais longe pela resposta do sinal emitido por ele, e chegando ao destino final, em que mais uma vez o monólito está presente para a conscientização do astronauta da existência humana.
Nos momentos finais e mais instigantes do filme, o astronauta consegue enxergar e perceber a trajetória de sua vida. Depois de uma viagem com alusão as sensações vividas por alucinógenos (comuns durante a década de 60) e mostrando um ambiente com referências ao Iluminismo, em que a “luz” do conhecimento emana dos antepassados e dos mortos, sendo a verdadeira base do conhecimento humano, e não do “divino”, como pregam todas as religiões durante a história da humanidade. A referência aos alucinógenos pode ser uma comparação ao Iluminismo de que, como na idade média, toda a década de 60 estava passando por um amadurecimento humano revolucionário, em que as consequências são sentidas até hoje.
Com cortes cinematográficos sublimes, Kubrick mostra como o astronauta consegue enxergar e perceber esta trajetória de vida de um ângulo externo, vendo sua vida passar, e em seu momento final da vida, vê o monólito a sua frente. E como por querer uma resposta tenta tocar o objeto (como os hominídeos a três milhões de anos atrás), e a resposta vem com a morte.
No próximo corte é o monólito que vê o homem...embrionário... renascendo, como que respondendo a sua pergunta. Logo depois o embrião enxerga a terra, como se a partir daí pudesse entender o que está se passando em todo planeta.
O que pude concluir do filme é que o monólito representa a consciência humana, instigadora, de que a partir de formas simples é formulada as perguntas para que o ser humano consiga evoluir. Como uma referência ao eterno retorno de Nietzsche (reencarnação??), o embrião espera sua vez de estar mais uma vez entre a humanidade para poder contribuir com seu conhecimento, conforme as idéias do Iluminismo. Por mais que pareça um paradoxo é o embrião que encerra o ciclo da vida evolucionária, pois ele já compreende o seu papel, porque com o nascimento inicia-se novamente a procura por respostas e a conseqüente evolução.